Corporativismo concurseiro

Semana passada foi publicado aqui no blog um artigo de minha autoria onde comentava uma notícia quanto a não ter havido nenhum candidato aprovado num concurso público para promotor na Paraíba, fato bastante comum em todo o país para cargos de magistratura, promotoria e similares, defendendo rigidez na seleção para cargos públicos em geral (clique aqui para ler o artigo).

Pois bem, esse artigo não foi muito bem recebido por boa parte dos leitores do blog, ao mesmo tempo em que foi bem recebido por muito mais leitores. De qualquer forma houve uma controvérsia que gerou muitos comentários, algo muito positivo por si só, de modo que achei interessante publicar um novo artigo defendendo meu ponto de vista, desta vez abordando tal defesa de um ângulo diferente.

Antes, porém, devo deixar claro que em nenhum momento disse ou ao menos sugeri que a totalidade dos candidatos desse concurso ou de qualquer concurso público que seja fosse formada apenas por concurseiros despreparados. Seria falacioso, para dizer o mínimo, se afirmasse algo do tipo. Tão somente reproduzi a notícia para logo então defender a rigidez na seleção em concursos públicos.

Vocês sabem o que é corporativismo? Uma boa definição é essa:

"Corporativismo é quando prevalece a defesa dos interesses ou privilégios de um setor organizado da sociedade, em detrimento do interesse público."

E foi exatamente isso que notei em grande parte dos comentários contra meu artigo, traços inequívocos de corporativismo concurseiro, uma vez que tais comentários diziam ou sugeriam discordância de concursos públicos serem tão difíceis de passar. Nada mais natural que criticar uma guerra quando se está exatamente no meio do campo de batalha, ou seja, tal corporavismo é compreensível.

Vemos corporativismo por todos os lados. Todos os dias temos exemplos disso nos telejornais, quando políticos que quando na oposição gritavam contra a corrupção, nepotismo, uso da máquina pública para finalidades pessoais ou partidárias, uma vez que são eleitos e passam a mandar mudam completamente de posição, não apenas fazendo tudo o que condenavam e um pouco mais, mas também defendendo com unhas e dentes, mesmo carentes de razão alguma, que o que fazem é correto ou ao menos justificável de algum ponto de vista extremamente míope e imoral.

Quem já está nas fileiras do serviço público, em quaisquer dos poderes, defende, inclusive, uma maior rigidez nas seleções para cargos públicos alegando que do jeito que está ainda são empossados muitos profissionais despreparados e descompromissados com a causa pública. Digo isso porque conheço várias pessoas que até a um ou dois anos atrás repetiam "para os quatro ventos" que concursos públicos eram desproporcionalmente difíceis e hoje, empossados e felizes servidores públicos, defendem maior rigidez nas seleções. Não duvido que isso será observado em muitos dos que criticaram meu artigo entre os que alcancem a vitória na guerra dos concursos públicos e igressem no serviço público.

Resumo da ópera - De qualquer modo, as argumentações e críticas contra minha posição nesse assunto, que merecem meu respeito e o de todos, não me farão mudar de opinião um milímetro que seja, uma vez que a mesma está fundada na minha visão como cidadão da questão. Quando tiver uma causa no Judiciário, quero que a mesma seja processada por servidores públicos bem preparados, do escrevente ao juiz. Quando tiver que tratar meus interesses e deveres com a Administração Pública, que que tais sejam tratados por servidores bem preparados. E o mesmo acontece com vereadores, prefeitos, deputados, governador, presidente ... pena que nesse caso não há concurso público para aprovar que poderia ser candidato, para só então votarmos.

Charles Dias é o Concurseiro Solitário.

IMPORTANTE - Os textos publicados nesse blog são de inteira resonsabilidade dos seus autores em termos de opiniões expressadas. Além disso, como não contamos com um(a) revisor(a) de textos, também a correção gramatical e ortográfica é de inteira responsabilidade dos mesmos.

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2 Response to "Corporativismo concurseiro"

  1. Charles, nem pense em mudar sua opinião! De fato há muitos que são adeptos da falácia "tu quoque", ou que tentam tomar partido de outros em supostamente a mesma situação, "colocando-se no mesmo lugar deles". Assim como na época de Copa do Mundo, todo mundo desperta uma vocação para ser técnico, mas não sabe o trabalho que se dá e os parâmetros para a escolha de jogadores. Devemos ignorar os palradores, que ao invés de se prepararem e estarem focados em seu objetivo concurseiro, acabam assumindo o partido dos descontentes. Esses não chegarão a lugar nenhum. Parabéns por ambos os artigos.

    Unknown says:

    Eu fui uma das pessoas que discordou da opinião do Charles, mas não me enquadro completamente no "corporativismo" pois já sou aprovada num concurso de remuneração igual ao famigerado MPPB. Continuo concurseira porque sonho em passar num concurso estadual e voltar pra casa.
    Apenas me solidarizei e muito com o pessoal que se matou de estudar e teve sua chance cortada por uma arbitrariedade da banca - antes de comentar eu me inteirei do assunto, não fiz julgamentos precipitados.
    Deus livre vocês de passar por uma coisa dessas e se, caso sejam reprovados, seja apenas por falta de estudo ou por conta de um mau momento, como deve ser.

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