Novidades no concurso do Ministério da Fazenda

Ontem foram divulgadas duas notícias muito importantes para os concurseiros inscritos como eu no concurso que está sendo promovido pelo Ministério da Fazenda e que oferece pouco mais de duas mil vagas para o cargo de Assistente Técnico-Administrativo dividas entre todos os estados da federação:

- Foi divulgada a concorrência e número de inscritos para cada estado.

- As provas foram mudadas do dia 10 de maio para o dia 24 de maio;

Muitos concurseiros acreditam que essas notícias não mudam em nada a dimensão dessa batalha e continuam se preparando de acordo com seus planos originais ... e como estão enganados esses concurseiros. Não considerar seriamente a importância e alcance dessas notícias, deixando de lado as mudanças estratégicas que se fazem necessárias após seu anúncio, pode se revelar fatal.

Analisemos essas notícias separadamente e então em conjunto.

A tabela com o número de inscritos e relação candidato/vaga por estado para esse concurso mostra algo muito interessante, uma anomalia no tocante ao número de inscritos por estados considerando o número de vagas oferecidas para os mesmos. Essa anomalia ficará mais clara com a transcrição de alguns números.

Peguemos os estados com mais vagas reservadas nesse concurso:

São Paulo – 349 vagas
Rio de Janeiro – 214 vagas
Minas Gerais – 206 vagas

Peguemos também outros três estados que apresentam grandes distorções:

DF – 106 vagas
Bahia – 116 vagas
Rio Grande do Sul – 102 vagas

Tradicionalmente, e também por conta do senso comum concurseiro, todos diriam que dentre esses estados a ordem de concorrência (da maior para a menor) seria a seguinte:

1º - São Paulo, por conta do maior número de vagas.
2º e 3º - Rio de Janeiro ou DF, por conta do número de vagas e tradição dos estados de terem grande número de concurseiros.
4º - Minas Gerais, também por conta do grande número de vagas.
5º - Bahia, por conta da tradição da região Nordeste de também ter concursos concorridos.
6º - Rio Grande do Sul, onde a tradição diz que há menos concorrência.

Certo? Não, errado, tudo errado. Vejamos:

1º - Bahia – 445,7 candidatos por vaga com 51.705 inscritos.
2º - Minas Gerais - 301,2 candidatos por vaga com 62.040 inscritos.
3º - Rio Grande do Sul –276 candidatos por vaga com 28.157 inscritos.
4º - DF –275,7 com 29.226 candidatos por vaga inscritos.
5º - Rio de Janeiro - 245,1 candidatos por vaga com 52.452 inscritos.
6º - São Paulo - 201,7 candidatos por vaga com 70.389 inscritos.

Surpresa! Apesar do maior número de vagas ser para São Paulo, a concorrência é a menor entre os seis estados. Por outro lado, Bahia e Rio Grande do Sul, que oferece os menores número de vagas, têm as maiores concorrências. E Minas Gerais, que fica geograficamente entre Rio de Janeiro e São Paulo e oferece o menor número de vagas entre os três, ficou com maior concorrência.

Ou seja, quem se inscreveu nesse concurso pensando que enfrentaria uma concorrência menor optando por estados onde tradicionalmente há menor concorrência em concursos públicos nacionais, se ferrou legal. Quem diria que São Paulo, que oferece uma vez e meia o número de vagas de Minas Gerais, teria uma concorrência 50% menor que este?!

Essa distribuição pouco ortodoxa do número de candidatos entre os estados da federação pegou a ESAF de surpresa, tanto que para poder ajustar a máquina do concurso para essa realidade inesperada, foi obrigada a mudar a data do concurso para duas semanas mais tarde do previsto.

Essa mudança de data é compreensível, visto que a banca terá de ter uma estrutura relativamente muito maior na Bahia que em São Paulo pro conta do número de inscritos. E, claro, isso ocorre por todo o país, pois a anomalia (ou seria melhor chamar de nova realidade dos concursos públicos?) é geral.

Agora vamos às minhas considerações pessoais sobre tudo isso.

1 – Definitivamente muitas velhas fórmulas e crenças consagradas no meio concurseiro não valem mais. Hoje é claramente muito mais difícil ter sucesso nos concursos públicos que a cinco ou dez anos atrás, os candidatos são muito melhor preparados, acertar 80% da prova não garante aprovação nenhuma. Aquela história de acreditar que alguns estados tendem a apresentar concorrência maior que outros se prova ultrapassada.

2 – Tem muito concurseiro fugindo dos estados mais visados e que oferecem maior número de vagas. Podem apostar que muitos dos inscritos para concorrer para as vagas de Minas Gerais são paulistas e cariocas.

3 – Essas duas semanas a mais para estudar, ganhas com a mudança da data da prova, serão fatais para muito, mas muitos concurseiros mesmo, por que oferecem uma falsa sensação de segurança, fazendo os caras pensarem “putz, posso pegar mais leve que dará tempo de estudar tudo”. Agora, para um punhado de concurseriso será a chance de estudar mais ainda.

Resumo da ópera - Faz tempo que venho dizendo que os concursos públicos estão mudando, está aí mais uma prova. Essa crise de empregos, que parece que ainda não chegou ao fundo do poço, só faz tornar o cenário concurseiro mais conturbado. No entanto, para os concurseiros que estudam sério e têm como meta serem empossados em cargos públicos, tudo isso não passa de mais algumas pedrinhas em um caminho pedregoso, porém que leva ao sucesso.

Charles Dias é o Concurseiro Solitário.

IMPORTANTE - Os textos publicados nesse blog são de inteira responsabilidade dos seus autores em termos de opiniões expressadas. Além disso, como não contamos com um revisor(a) de textos, também a correção gramatical e ortográfica é de inteira responsabilidade dos mesmos.

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CLIPE DO DIA

Para hoje, sexta-feira, dia tradicional de balada, que tal uma regravação moderninha de um clássico dos anos 80? Beleza. Com vocês Alex Gaudino vs Jason Rooney com "I Love Rock n Roll".

2 Response to "Novidades no concurso do Ministério da Fazenda"

  1. cristal says:

    Charles, sem dúvidas esses dados da quantidade de inscritos por vaga são interessantes e nos permitem fazer novas análises.

    Um fato eu acrescentaria aos que vc listou: há uma migração fora do eixo RJ SP e DF por conta da qualidade de vida e do custo de vida também já que o salário é o mesmo seja onde o candidato passar.

    A três anos atrás eu morava em SP e voltei para GO já focada nos concursos e na qualidade de vida. De lá para cá a quantidade de pessoas que conheci que fizeram a mesma coisa que eu, migraram do RJ e SP para cá é surpreendente.

    Moro em Goiânia colada no DF e o pessoal do DF tem feito muito concurso p/ Goiás a despeito das vagas no DF por conta de 2 motivos: qualidade de vida e custo de vida. Acredito que haja uma grande fuga dos grandes centros urbanos a despeito da quantidade de vagas oferecidas.

    O jeito é estudar muiiiiito mesmo!!!

    Sou tao sortudo que optei pela vaga da Bahia ao inves de florianopolis e me dei mal 445 :( contra 250 em floripa

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