Sobre três concursos

Hoje gostaria de fazer algumas rápidas considerações sobre três concursos públicos que estão dando o que falar no momento. Vamos lá.

IBGE

Saiu ontem no site do Jornal dos Concursos, “O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística prorrogou o período de inscrições para o processo seletivo que vai preencher 3.500 oportunidades temporárias ao cargo de agente de pesquisas e mapeamento em todos Estados do país e no Distrito Federal”.

Quem lê só esse pedacinho da notícia deve pensar “putz, mas esse povo concurseiro não quer nada com a vida mesmo. São 3.500 vagas (!) e a banca ainda precisou prorrogar o prazo de inscrições!”. Hehehehe, nossa, bom se fosse assim. Mas essa é apenas a ponta do iceberg ... parente daquele que afundou o Titanic.

Esse cargo é temporário, com validade inicial de 12 meses podendo ser prorrogado até o limite de 24 meses. As funções do cargo são bastante simples, ir de casa em casa fazendo a pesquisa do próximo censo, basicamente. Até aí tudo bem, mas então o que torna esse concurso pouco atraente para muiiiiitos concurseiros? Vejamos.

Primeiro é o próprio trabalho. Pensem bem ficar oito horas por dia indo de casa em casa para que respondam a uma pesquisa. Brasileiro não gosta de responder pesquisa, isso é fato. Acredito que esse trabalho não será muito mais fácil ou difícil que o de agente de saúde na luta contra a Dengue, tendo de enfrentar gente chata, que não coopera, cabeça dura. Claro que alguns terão sorte de trabalhar nos melhores bairros das cidades, mas outros terão de roer o osso nas periferias mais perigosas.

Segundo é a remuneração. Para um trabalho “osso duro de roer” como esse, se eu fosse o administrador público responsável por determinar a remuneração dos que terão de realizá-lo debaixo de sol e de chuva, não pensaria em valor menos que R$1.500,00 ... só que a realidade é muito mais injusta e a remuneração é de apenas R$700,00 + vale transporte e auxílio alimentação! Como diria o Boris Casoy, uma vergonha!

Minha opinião – Melhor prestar o próximo concurso do Banco do Brasil, remuneração sensivelmente melhor, plano de saúde, não é temporário, não será preciso ficar andando feito um condenado para desempenhar o cargo, correr de cachorro, ...


SEFAZ-SP

Também foi publicado recentemente no site do Jornal dos Concursos, “A Secretaria de Fazenda (SEFAZ) de São Paulo divulgou, nesta sexta-feira (19/6), o edital de abertura do concurso que oferece 600 oportunidades para o cargo de agente fiscal de rendas. O salário é de R$ 6.806,25 e a carga horária vai de 40 a 44 horas semanais”.

Opa, esse é um daqueles excelente concursos públicos que ocorrem apenas uma ou duas vezes a cada biênio. São 600 vagas para Agente de Fiscal de Rendas do Estado de São Paulo com remuneração de quase R$7 mil, sem contas as vantagens e benefícios. Como disse um amigo meu, esse é um “concursão”.

Agora, não se enganem achando que esse concurso é para qualquer um, pois está longe disso. Dei uma olhada no edital e a quantidade de matérias para estudar é assustadora. Além disso a banca será a FCC (Fundação Carlos Chagas), que parece estar rapidamente deixando de ser a famosa “Fundação Copia e Cola” (fama ganha por cobrar em provas quase apenas decoreba). Com provas marcadas para 15 e 16 de agosto, esse concurso é para quem já vem estudando todas as matérias faz tempo e promete ser uma carnificina a disputa por essas vagas.

Minha opinião - Esse é um concurso para quem já estava esperando por ele estudando feito um cachorro raivoso, ou então já vem estudando para algum concurso muito semelhante, como de AFRF. Partir do zero para estudar para esse concurso nessa altura do campeonato é certeza de derrota feia, sendo mais produtivo gastar o tempo para fazer uma excelente revisão de Direito Constitucional e Direito Administrativo nos mínimos detalhes.

MPOG

Já essa notícia vi publicada no caderno de concursos do site do Correio Braziliense, “O Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG) lançou, nesta segunda-feira (22/6), o edital de abertura do concurso que oferece 100 oportunidades para especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental. A seleção é organizada pela Esaf e oferece remuneração de R$ 10.905,76. Os aprovados atuarão em Brasília (DF)”.

Temos aqui outro concurso muito bom, com ótima remuneração, cargo federal, exercício em Brasília. Só que nem tudo são flores. A banca é a ESAF e o edital traz uma enxurrada de matéria para estudar!

Prestei o concurso anterior para o mesmo cargo e digo por experiência própria que é osso duro de roer. Com provas marcadas para 30 de agosto, é um concurso para concurseiros muito sérios, com bagagem respeitável de estudo nas matérias previstas no edital e coragem para encarar um ritmo frenético de revisão e estudo até a data.

E tem uma coisinha, dos candidatos que prestarem a prova objetiva, apenas os 380 com melhores notas serão convocados para prestar a prova discursiva! Não é brinquedo, não.

Minha opinião - Esse é daqueles concursos que muitos concurseiros dão uma olhada no edital e pensam "dá para encarar", eu mesmo já fiz isso. Só que não é por aí, não, muito pelo contrário. As matérias são relativamente poucas, mas muito complexas e o nível de profundidade de estudo exigida nesse concurso não é brincadeira. Se você não sabe exatamente onde está se metendo ao decidir por encarar esse concurso, melhor nem tentar.

Resumo da ópera – O objetivo desse artigo é mostrar que o concurseiro sério deve analisar com cuidado os concursos que vão aparecendo a cada dia, de forma a poder encarar os que tem condições reais de vitória. Não adianta nada vencer num concurso como o do IBGE, por exemplo, se o cara nem sonha em tomar posse no cargo. Também não adianta se matar de estudar por dois meses, gastar uma grana com cursinho e material de estudo, para encarar concursos pesados como da SEFAZ e MPOG sem que o concurseiro tenha maturidade de estudo suficiente para ter chances mínimas de brigar efetivamente por uma das vagas oferecidas.

Charles Dias é o Concurseiro Solitário.

IMPORTANTE - Os textos publicados nesse blog são de inteira responsabilidade dos seus autores em termos de opiniões expressadas. Além disso, como não contamos com um revisor(a) de textos, também a correção gramatical e ortográfica é de inteira responsabilidade dos mesmos.

1 Response to "Sobre três concursos"

  1. nathynha says:

    Já trabalhei neste cargo no Censo 2000, e posso garantir que é muito pior do que se possa imaginar. Trabalhei num bairro de classe média alta, em Niterói, e a maioria das pessoas são muito mal educadas, não querem passar suas informações, não tem consciência de como este tipo de pesquisa é importante.Mas vamos lá, das muitas coisas que aconteceram comigo vou contar duas: a primeira fiquei presa no elevador de um prédio, esse elevador era muito antigo, ainda com porta de grade, só que ela estava pela metade, e alguns moradores me falaram depois que o elevador já tinha sido interditado, só que o condominio ainda não tinha chegado num acordo para trocá-lo, por causa da taxa-extra. Veja eram apartamentos antigos enoorrrmes, e povo era mesquinho demais.
    A segunda, o marido não falava com a esposa e não falava comigo porque eu comecei a falar primeiro com ela qdo cheguei, então ele saiu de casa e trancou a porta, só que a mulher não tinha a chave. A empregada, coitada tinha uma chave que estava quase quebrada e mesmo assim só falou que tinha a tal chave porque eu comecei a ficar nervosa e disse q ia ligar p/ polícia. Quase 1 hora depois eu pude sair, e fui entregar meu cargo, porque não dava mais. E o salário não era fixo, era por produção e o auxílio transporte e alimentação era descontado como se fosse um adiantamento.

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