Dinheiro na mão é vendaval, é vendaval ...

Minha posição no artigo de segunda-feira, quanto ao concurso público do Ministério da Justiça, de que a remuneração oferecida é baixa considerando o alto custo de vida de Brasília, local de exercício do cargo, e que, por isso, é um “contra” quando se considera prestar ou não tal concurso, foi bastante discutida. Vários leitores concordaram comigo, vários outros leitores discordaram de mim. Por isso acho que o assunto merece uma análise um pouco mais aprofundada.

Então o assunto de hoje é o lado financeiro dos concursos públicos, ou seja, a questão do valor da remuneração oferecida. Assunto esse de muito interesse de 90% dos concurseiros, porque acredito que uma pequena parte ainda presta concursos por gosto pelo cargo ou outros motivos que os levam a considerar o valor da remuneração de menor importância.

Para facilitar a vida, trabalhemos com esse concurso do Ministério da Justiça de Brasília, que oferece remuneração média de R$2.500,00, aproximadamente. Notem que todas as considerações que farei servem para qualquer outro concurso público.

É possível pagar as contas em Brasília com R$2.500,00? Claro que é, isso é fato. Há famílias que se viram com certo nível de dignidade com menos que isso. Mas acho que a questão não deve ir por aí, visto que viver é bem diferente de sobreviver. Vejamos. Em minha concepção, “viver” com certa remuneração é ganhar o suficiente para se morar em um local relativamente bem localizado, ter uma casa bonitinha, arrumadinha, poder bancar um automóvel, ter um nível de consumo de classe média. Agora, “sobreviver” é passar o mês com a grana contada, morar longe, ralar para pagar o carnê dos móveis populares das Casas Bahia, nem poder pensar em ter um automóvel com menos de uma década de uso, ter baixo poder de consumo.

Na boa, gente, não estou ralando feito um condenado, estudando de segunda a segunda, sem poder consumir, viajar, me divertir, vivendo 110% do tempo para os estudos para me satisfazer com um cargo público ofereça uma remuneração que me permita apenas sobreviver, de jeito nenhum. Estou abrindo mão de meu consumo presente para poder consumir mais e melhor no futuro, se não fosse isso não seria concurseiro.

Brasília é uma cidade cara, a mais cara do país, isso é fato. Já fui para lá meia dúzia de vezes, como concurseiro e como profissional da minha área, e sei que a cidade é cara. Viver em Brasília sem ter um automóvel decente, viver numa região mais ou menos bem localizada e sem ter uma sobra de grana mensal para poder gastar com conforto, é sobreviver no esquema “da casa para o trabalho e do trabalho para casa”. Já vivi esse tipo de vida quando ainda fazia faculdade em São Paulo e tinha de pagar minhas próprias contas com a graninha que ganhava como estagiário e trainee, algo que não é nada agradável. É muito frustrante trabalhar sabendo que o que você ganha não dá para fazer nada mais que pagar as contas e olha lá.

Para quem já mora em Brasília, principalmente se ainda mora com os pais, R$2.500,00 é uma boa remuneração, afinal de contas não se terá de gastar com aluguel, alimentação e tal, então o que vier é lucro. Tenho amigos nessa situação, em Brasília, em São Paulo, e os caras estão bem. Agora, se o cara tem de se mudar para a cidade para assumir o cargo, tem de montar casa (móveis são caríssimos, por mais vagabundos que sejam), tem de bancar aluguel, energia elétrica, condomínio e tal, bem, perguntei para alguém que banca tudo isso se R$2.500,00 é muito dinheiro.

Resumo da Ópera - Claro que cada um tem um nível de consumo diferente. O nível de consumo e padrão de vida que pretendo ter quando empossado pode parecer luxuoso para alguns, humilde para outros. Mas essa é uma daquelas questões que o que realmente importa é o que você quer, não o que as outras pessoas acham. Se você fizer as contas e achar que ganhando por volta de R$2.500,00 poderá viver legal em Brasília, ótimo, legal para você. Agora, se você fizer as contas e achar que não rola se mudar para lá por essa remuneração, bom também. O que não dá é para se iludir achando que a remuneração X será suficiente para viver no lugar Y com o padrão de vida Z sem fazer nenhuma conta séria, o resultado será um belo “quebrei a cara”, o que é caro, frustrante, decepcionante e muito desanimador. Então, cuidado com o que você deseja!

Charles Dias é o Concurseiro Solitário.

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1 Response to "Dinheiro na mão é vendaval, é vendaval ..."

  1. Renato says:

    Concordo contigo, Charles. Pra viver em Brasília com 2.500 reais é pouco para quem pretende um padrão de vida classe média.

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