Uma palavra chamada determinação

Mais importante que inteligência, sorte ou talento, determinação é a palavra. Essa foi a lição que aprendi e faço questão de ensinar.

Minha luta começou em meados de Maio de 2009. Eu, com 21 anos e duas faculdades em curso, levava de boa a vida de universitário. Levava tranqüilo até perceber que minha família tinha entrado em um buraco, meu pai devia a Deus e ao mundo e minha mãe não tinha como segurar a situação. Me vi desprotegido, vulnerável. A incerteza do mercado de trabalho pós-faculdade me dava calafrios e piorava ainda mais a situação. Me sentia impotente, fraco. Infeliz. Nesse exato momento decidi: preciso trabalhar. E tinha que ser urgente.

Foi aí que um amigo me indicou o concurso ATA – Ministério da Fazenda. Emprego estável, esfera federal, remuneração não muito atrativa (em torno de R$2.500), mas bem interessante pra alguém que estava disposto até a tentar concursos na área de segurança (polícia militar, bombeiros, etc). Mal comecei a estudar e logo começaram os comentários: “nesse concurso só passa gente formada”; “desista, você não vai passar”; “ninguém passa no primeiro concurso”. Quando a concorrência saiu (319/vaga no meu estado), a ala baixo astral ganhou ainda mais força e cada vez mais me vi isolado. Logo me vi apenas um humilde concurseiro solitário principiante.

Montei o plano. Me isolei. Comprei uma apostila e baixei uns ebooks, era tudo o que tinha. Estudava o quanto dava. Faculdade pela manhã, estágio na outra faculdade alguns dias à noite e o que sobrava de tempo era dedicado exclusivamente a devorar a apostila. Final de semana era só em casa. Eu simplesmente não saía pra canto nenhum, a não ser pra casa de um amigo meu pra resolver alguns exercícios. Era um método de estudo radical. Pensava eu: “como não tenho tempo para estudar forte durante a semana, tenho que compensar nos feriados e finais de semana”. E assim fui vivendo durante cerca de 3 meses. Fazendo o melhor que podia com tudo o que tinha.

É nesses horas que descobrimos os nossos verdadeiros amigos, aqueles que te apóiam e entendem. Assim como descobrimos a verdadeira face do egoísmo, presente naqueles que te botam pra trás, que te desacreditam, que te sugam. Os falsos amigos. Logo comecei a me acostumar com aquela vida forçada, sem luxos, alegrias ou emoções fortes. Era apenas estudo e nada mais. Eu estudava pra esquecer os problemas da minha casa, estudava pra fugir da minha insegurança, pra enfrentar a minha preguiça, a minha inércia, o meu desespero, eu estudava com apenas um objetivo: fazer o melhor de mim. Não pedi a Deus que me aprovasse, que me desse uma forcinha ou que respondesse essa ou aquela questão, pedi apenas que me desse condições para que eu alcançasse o meu melhor rendimento. Ser aprovado ou não era apenas uma questão de mérito.

Viagem. Moro no interior. 800km de ônibus pra fazer essa prova. Tomei uma cerveja um dia antes pra relaxar, já tinha esquecido até o gosto. Era chegada a hora. Fiz a prova tranqüilo, com muita humildade e prestando atenção em cada detalhe. Estava fácil, e eu sabia que isso não era bom. Sabia que era um péssimo sinal. No ônibus comparei o meu gabarito com outros concurseiros e não batia, fiquei nervoso de início, mas logo pensei: “das duas uma, ou todos eles passam, o que é bem improvável, ou então passo eu sozinho”. Seja o que Deus quiser.

E ele quis. 90% da prova, aprovado e classificado dentro das vagas. E, de brinde, ainda consegui vaga na minha cidade. Sim, passei no primeiro concurso que fiz. Não, não fiz cursinho. Sim, estudei praticamente sozinho e assim venci. Sem truques, sem efeitos pirotécnicos. Prometi pra mim mesmo que iria chorar ao ver meu nome no DOU, mas não chorei. Não consegui. Era mais uma sensação de dever cumprido do que surpresa ou entusiasmo. Era apenas o primeiro passo, o primeiro de muitos, se assim quiser o cara lá de cima. Só peço que me deixe olhar sempre para frente.

Resumo da Ópera - E de tudo o que vivi fica a lição para quem sentir nem que seja um pouquinho do que senti e sinto, esse desejo incontrolável de superação: Nunca deixe que ninguém diga do que você é ou não capaz de fazer. Ninguém conhece o seu limite, nem você mesmo conhece. Tenha fé, confie na sorte, use sua inteligência, planeje, encare sem medo e vença. Não entre para competir, entre para ganhar. Ganhe. Você precisa de um plano e de muita determinação. Com isso já dá pra começar. Mãos a obra. É nas pequenas vitórias que surgem os melhores guerreiros.

Esse artigo foi um dos finalistas da promoção "Envie-nos um artigo legal e ganhe um bom prêmio".

Talles Augusto, um concurseiro a quem não falta determinação.

IMPORTANTE - Os textos publicados nesse blog são de inteira responsabilidade dos seus autores em termos de opiniões expressadas. Além disso, como não contamos com um revisor(a) de textos, também a correção gramatical e ortográfica é de inteira responsabilidade dos mesmos.

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5 Response to "Uma palavra chamada determinação"

  1. Raquel says:

    Excelente artigo. Senti correr um frio na espinha por várias semelhanças entre o que foi narrado e o que passo hoje.
    Fui aprovada na prova oral do concurso da DPU - estou no aguardo da fase de avaliação dos títulos. Não passei dentro do número de vagas previsto no edital, o que não desmerece a minha vitória, mas me impõe que continue estudando sem trégua. Palavras como essas certamente ajudam a que tenhamos a força necessária para persistir na árdua rotina de estudo. Abraço!

    Raquel, você chegou tão longe! Deveria escrever um artigo para nós, contando um póuco da sua experiência. Envie para concurseirosolitario@gmail.com

    Parabéns por ter chegado na oral!
    Raquel Monteiro
    Concurseiro Solitário

    Nane Guedes says:

    Estou aqui no meu quarto sozinha lendo as notícias do dia referente aos concursos e vi que o edital do MPU está realmente pra sair em Julho, a prova provavelmente depois do edital lançado de 40 a 60dias.
    Fiquei triste...por que começei a estudar tem poucos meses...até a prova tenho 4 meses no máximo!
    Minha mãe entrou no quarto, falei pra ela o q li...e ela disse: Dá tempo filha!!!
    Entrei aqui no site para ler alguma coisa e...tinha esse artigo.
    To desempregada, larguei meu emprego na área privada pra estudar...e não aceito mais voltar para o mercado privado. Eu tenho um sonho e não vou desistir..tenho pouco tempo? Ok...é com esse tempo q vou vencer!
    ELE o papai do céu me dará sabedoria suficiente para entender tudo q estou estudando e a vitória virá!

    Olá,ontem li essa noticia que deve interessar a muitos. Se acharem necessário publiquem.Obrigado

    Noticias MPU 15/06/2010
    Concurso do MPU será regionalizado, como o anterior, diz secretário-geral
    15/6/2010
    Segundo Lauro Cardoso Neto, haverá prova em todas as capitais
    O concurso público para preenchimento de vagas para as carreiras de analista e técnico do Ministério Público da União (MPU) será regionalizado, como o anterior. Isso é o que afirma o secretário-geral, Lauro Cardoso Neto, em entrevista concedida ao jornal 'Folha Dirigida', publicada hoje, 15 de junho. Previsto para o segundo semestre, o concurso terá âmbito nacional, ou seja, as provas serão aplicadas em todas as capitais.

    O secretário-geral explica que, após o resultado do concurso de remoção (processo em que servidores optam por ter lotação em outra unidade do MPU), será possível definir o quantitativo de vagas e, consequentemente, lançar o edital do concurso.

    A Fundação Universidade de Brasília será a organizadora do concurso. Atualmente, a fundação e o MPU estão definindo cronograma, prazos e questões operacionais da realização da prova. O secretário-geral lembra que a lei eleitoral, que veda nomeações em períodos eleitorais, excetua o Ministério Público da União. Ele diz que as nomeações ainda podem ocorrer neste ano, conforme for definido o cronograma do concurso.

    Projeto de lei – Lauro Cardoso Neto diz que as vagas a serem criadas por meio de projeto de lei (PL nº 5491/2009) que tramita no Senado só devem ser consideradas a partir de 2011, pois é preciso autorização orçamentária para contratação. Como ainda é um proposição, essas vagas não podem ser contabilizadas na oferta de vagas no edital.


    Secretaria de Comunicação Social
    Procuradoria Geral da República
    (61) 3105-6404/6408

    Postado por Professor Concurseiro às 18:10

    Liliane says:

    "Não pedi a Deus que me aprovasse, ;...., pedi apenas que me desse condições para que eu alcançasse o meu melhor rendimento." Estas tb. são minhas orações.

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