Cargo público: profissão ou vocação

Um dos grandes erros do candidato a cargo público é levar em conta só a questão financeira, a famosa “estabilidade”, esquecendo-se de algo mais importante e determinante para o seu sucesso que é a sua própria vocação para o desempenho do tão sonhado cargo.

Segundo o dicionário, vocação significa escolha, predestinação, tendência, inclinação, talento e aptidão, enquanto que profissão significa ofício, emprego, ocupação. O que podemos concluir que para desempenhar uma função, emprego ou ocupação pública com esmero, a vocação seria de vital importância para que o servidor pudesse gerar prazer, realização e satisfação pessoal, sem correr o risco de futuras frustrações e arrependimento pelo cargo escolhido.

Muitos optam pelo serviço público sem pesquisar antes quais as funções que deverá desempenhar no cargo pretendido. Se informar, visitando, por exemplo, os locais nos quais gostaria de trabalhar, conversar com quem já é servidor, verificar quais os benefícios do cargo como plano de carreira, gratificações adicionais, cursos de aprimoramento, consultar as atribuições dos cargos, com seus direitos e deveres, são práticas que estimulam ainda mais a preparação. Uma outra prática seria uma avaliação bem profunda sobre a afinidade e habilidade com a função pretendida. Imagine um candidato que nunca trabalhou, nunca teve experiência nenhuma de trabalho e depois de vários anos de preparação finalmente é nomeado e empossado num cargo público, numa área ao qual não tem nenhuma afinidade (área fiscal, bancária, administrativa, por exemplo). Pessoalmente, eu visito sempre o local que eu escolhi para trabalhar, pois tenho um colega que ocupa o mesmo cargo pretendido por mim e devido a isso já esclareci todas as minhas dúvidas, acerca das atribuições que futuramente deverei desempenhar no cargo.

Não são poucos os casos de servidores frustrados com seus cargos e funções que depois de certo período de exercício entraram em desespero, até mesmo desenvolvendo doenças como a depressão e a síndrome do pânico. Recentemente tive a oportunidade de vivenciar um caso de um concurseiro empossado num cargo de advogado numa empresa estatal que em menos de um ano de exercício pediu exoneração por não suportar a pressão no seu ambiente de trabalho. Confessou-me o mesmo, que as tarefas eram extremamente maçantes e insuportáveis de serem realizadas, o que tornava o seu trabalho no final do dia, estressante e improdutivo. Como ele mesmo disse: “assumir o cargo, foi como mergulhar em águas profundas e escuras, algo totalmente adverso do que eu imaginava que iria fazer. Sentir-me fracassado e despreparado profissionalmente”.

Vejam esta excelente matéria produzida pelo Jornal Hoje, que fala exatamente sobre o assunto:


Alguns especialistas da área de Recursos Humanos recomendam o candidato a guia-se pela vocação, levando em consideração a sua área de formação e de experiência no setor privado. Exemplo: se o candidato não gosta de matemática, não se sente bem desempenhando serviços burocráticos, exercendo atividades externas como fiscalização de empresas ou atendimento ao público, não deve nunca prestar concursos para fiscal (Receita Federa, ISS, ICMS, Tribunal de Contas), ou para bancos. O importante, dizem os especialistas é a afinidade e habilidade com o cargo escolhido, em muitas das vezes, só consultando as disciplinas previstas no edital já é suficiente para se perceber isso.

Resumo da ópera - Caro concurseiro, um ótimo cargo com uma boa remuneração, não é e nunca será sinônimo de sucesso e felicidade (não confunda cargo público como solução para problemas financeiros). É necessário ao ingressar na carreira pública que o prazer pessoal, a realização profissional venham atrelados às necessidades pessoais. Mesmo que o serviço público não seja visto como vocação e sim, apenas como uma profissão, uma ocupação passageira, é importantíssimo que o mesmo seja realizado com um mínimo de responsabilidade e dedicação, a fim de que o seu resultado final seja benéfico para todos.

"Escolha um trabalho que você ame e não terás que trabalhar um único dia em sua vida" (Freud)

Fontenele é um concurseiro que tem vocação para o serviço público.

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3 Response to "Cargo público: profissão ou vocação"

  1. Maíra says:

    Fontenele parabéns pelo artigo de hoje, mais um ponto importante na avaliação do concurseiro: se ele tem ou não vocação para exercer determinado cargo.

    Fontenele says:

    Obrigado, Maira!
    Precisamos avaliar muito bem as nossas escolhas. Buscar o cargo público apenas como uma porta de salvação pode não ser a solução e sim o início de outros problemas.

    Excelente artigo. Sempre achei muito importante considerar a vocação para o cargo.

    Raquel

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