"Não vale tudo isso"

No começo do ano fui procurado por um amigo que não via fazia algum tempo, que me disse que estava insatisfeito com o trabalho, que queria algo melhor para sua vida e tudo o mais, e que havia decidido também estudar para concursos públicos, por isso me procurava em busca de orientação, visto que já estudava há mais de um ano e meio quando isso aconteceu.

Pois bem, sentei-me com o cara com um bloco de papel e enquanto tomávamos um café, expliquei tudo o que sabia e acreditava sobre estudar para concursos públicos, montei com ele um planejamento completo de estudo segundo sua disponiblidade de horário, ou seja, não somente expliquei para ele o que e como fazer, como fiz para ele o tão necessário planajamento de estudos. Além disso, indiquei a bibliografia básica para ele estudar e dei dicas de concursos que tinham mais a ver com seus objetivos. Depois de algumas boas horas dedicadas a isso, ele agradeceu e seguiu seu caminho muito animado.

Durante algum tempo recebi alguns emails desse amigo perguntando algumas coisas, tirando algumas dúvidas e então nada mais de contato por longos meses. Concluí que o cara deveria estar estudando sério e que já conseguia resolver eles mesmos suas dúvidas. Não pensei mais sobre o assunto.

Não é que nesse final de semana o encontrei no supermercado no domingo pela manhã?! De cara notei que o sujeito ficou meio sem jeito quando me viu, bastante incomodado para ser sincero. Fingi que não notei e o cumprimentei como sempre havia feito. Conversa fiada vai, conversa fiada vem e acabei perguntando como iam os estudos. O cara fez aquele caractérístico "hem, hem" (pigarro) e se seguiu um curto diálogo mais ou menos assim:

- Cara, estudei um pouco no começo do ano depois que conversamos, mas larguei mão. Gostei muito daquele planejamento de estudos que você me ajudou a fazer, mas não é para mim, não - Disse o cara sem jeito.

- Ué, por que não? - Perguntei insistente.

- O problema não foi bem estudar, não, foi com os gastos. Só naquela lista de livros que você me passou eu teria de gastar uma grana, e não posso encarar pagar mais de cem reais por cada inscrição de concurso público mais as despesas para ir fazer prova. Até prestei um concurso no meio do ano usando uma apostila usada que meu cunhado me emprestou, mas não deu, não - Declarou o cara.

- Barato não é, não, mas daí é com cada um poder e querer investir, né? Beleza, então, nos vemos por aí - Disse em tom de despedida.

Quando estava no estacionamento do supermercado indo para o carro para ir embora, passei pelo cara que conversava junto de outro conhecido dele junto de um moto e deu para ouvir ele dizendo algo assim, "então, fulano, comprei essa moto no começo do ano, dei três mil de entrada e parcelei o resto em trinta e seis vezes, mas tá apertado pagar, tô ganhando muito pouco".

Essa historinha revela algo muito comum e que impede muita gente de vencer na guerra dos concursos públicos, na verdade revela duas coisas que juntas ou separadas fazem isso, a "pão durisse" e a "falta de prioridade em investimentos".

Claro que estudar para concursos públicos não é fácil. Bons livros para estudar são caros, no mínimo R$50,00 cada um, dos mais baratos e finos. Uma bibliografia básica para estudar para concursos públicos custa pelo menos R$1.000, considerando os melhores e mais indispensáveis títulos. Inscrições de concursos públicos também são caras, só o de analista do Bacen custou R$110,00. Viajar para prestar provas é mais caro ainda. E ainda temos de contabilizar gastos com materiais diversos (papel, canetas, ...), o custo do computador, do tocador de MP3, do provedor de Internet e tudo o mais.

Agora, devemos saber diferenciar gasto de investimento, duas coisas muito diferentes. Vejamos.

Gasto: Parte consumida (de um todo); despesa.

Investimento: Empregar (capitais) a fim de obter dividendos futuros.

Notaram a sensível diferença? Enquanto gastar é "comer o bolo", investir é "ficar com o bolo e ainda ganhar um pedaço extra no futuro". Comprar uma moto é gastar, visto que a mesma dá gastos (emplacamento, manutenção, ...) e perde valor ao longo do tempo (desvalorização). Gastar para estudar sério e prestar concursos públicos é investimento, visto que no futuro você trabalhará para o Estado, terá estabilidade e receberá uma ótima remuneração, muito superior ao que você investiu.

É fato, gente, que vale a pena estudar sério para concursos públicos. Não há um ex-concurseiro que foi empossado que não diz que se tudo não valeu a pena apenas pela estabilidade conquistada (não poderão te demitir por conta de uma "marolinha" qualquer na economia ou porque seu chefe chegou um belo dia na empresa e não gostou do tom da cor dos seus olhos), valeu também pela ótima remuneração que será depositada todos os meses, religiosamente, em sua conta bancária. Também são pouquíssimos os ex-concurseiros que foram empossados que não podem dizer que nos primeiros seis meses de trabalho para a Administração Pública recuperaram com vasta sobra todo o investimento que fizeram em anos de estudo para concursos públicos.

Do que adianta alguém querer estudar sério para concursos públicos se na hora de fazer investimentos mínimos em material de estudo e inscrições em concursos acha que isso custa muito caro e decide não investir?! Não adianta nada. Notem que uma coisa é não poder, outra é não querer. Se o concurseiro não tem mesmo grana para investir na compra de um livro de quase R$200,00, não há pecado. Agora, se o cara não investe na compra do mesmo livro por considerá-lo "caro demais", mas gasta R$300 num feriadão na praia regado a cerveja, daí é melhor não estudar nada e curtir a vida, porque está perdendo tempo achando que terá chance de passar em algum concurso público.

Resumo da ópera - Não seja "pão duro" na hora de investir na sua luta na guerra dos concursos públicos. Vale muito mais a pena deixar de gastar em outras coisas hoje (coisas que podem não ser consumidas agora) para investir em bons livros para estudar, num bom cursinho para concursos públicos, para prestar prova em algum estado mais longe de onde se reside, pois no futuro os dividendos (estabiliade e remuneração como servidor público) permitirá que você gaste com o que queria e não gastou, como também que gaste em coisas que hoje você nem pensa em gastar porque não teria como banca isso.

Charles Dias é o Concurseiro Solitário.

IMPORTANTE - Os textos publicados nesse blog são de inteira responsabilidade dos seus autores em termos de opiniões expressadas. Além disso, como não contamos com um revisor(a) de textos, também a correção gramatical e ortográfica é de inteira responsabilidade dos mesmos.

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2 Response to ""Não vale tudo isso""

  1. Jorge Luiz says:

    Neste caso específico de seu amigo, creio que aconteceu como na velha parábola do bode, para aqueles que não conhecem, segue:
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    Num vilarejo, uma casa muito simples, porém muito limpa e arrumadíssima, vivia um homem com a mulher, os três filhos e a sogra. Ele porém, sentia-se muito infeliz. Reclamava de tudo e de todos. Implicava com os filhos, ou com a sogra, ora a casa é que era pequena demais, ou então a esposa é que não era boa... Enfim, nada o satisfazia.
    Certo dia, cansado de sofrer, buscou ajuda com o sábio do vilarejo.
    Então o sábio disse: Meu filho, procure um bode e coloque dentro de casa.
    O homem ficou surpreso, mas resolveu fazer o que ele sugeriu.
    Algum tempo depois, o homem voltou ao sábio, muito mais infeliz, dizendo que sua vida tinha piorado, e que sua casa agora estava suja, barulhenta, fedida e insuportável, perguntando o que fazer.
    O sábio disse: - Tire o bode de sua casa.
    Rapidamente o fez. Foi tanto alívio por ter se livrado do animal, que passou a achar apenas qualidades naquela casa.
    A partir daquele dia, ele se transformou em outro homem. Começou a descobrir e a valorizar as coisas simples que sempre estiveram à sua volta e que ele nunca tinha percebeu.
    -------------------------------

    Em resumo, quando ele se encontrava achando que tinha sérios problemas em casa, nós (você) amarrou um bode na sala dele, afinal, todos nós sabemos o quão é doloroso as longas horas de estudo e os investimentos necessários.
    Quando ele desistiu de se tornar concurseiro, foi como se acabassem seus problemas e descobriu que sua situação não era tão ruim assim.

    Você deve se lembrar, no meu caso foi diferente, poderia ter amarrado 10 bodes em minha sala que o meu desemprego e de minha esposa, junto, com filha na escola e todas as depesas rolando, por mais bodes que houvessem meu problema continuaria mais sério ainda.
    Talvez por isso consegui vencer em tempo que julgo recorde, e não deixei de investir e não me arrependo nem um pouco.

    Ele esqueceu que o primeiro salário dele pagaria com sobras todos os gastos (investimentos) com livros e inscrições em concursos públicos.

    Jorge Luiz Inácio

    Poxa! Pensei que você fosse dizer que o seu amigo já havia passado em concurso público!rs Mas, como vc mencionou o desconcerto dele ao te ver, já imaginei que não.
    Tomar o tempo de uma pessoa para receber conselhos, mas não segui-los é...

    Poxa! Se eu tivesse a certeza de que passaria em um concurso público BOM, eu gastaria até 5 mil na boa, em um só livro. Pegaria dinheiro emprestado de um banco, mesmo pagando 10% de juros ao mês.
    Eu ficaria imensamente satisfeito ganhando de 5 a 13 mil por mês, só por ter gasto apenas 5 mil.

    Para render 5 mil na poupança, vc tem que aplicar 1 milhão!

    E que são 5 mil, perto de 1 milhão?

    Investir em livros gera alta rentabilidade. Mas tem que usar, tbm! Se fosse só comprar, um monte de gente estaria riquinha já.



    O que pesa mais é a dedicação!
    Quem se prepara bem e acredita vai até a pé para fazer concurso!

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