Com a pulga atrás da orelha

Ultimamente tenho ficado coma pulga atrás da orelha com a tendência das bancas de cobrarem em prova matérias que, tecnicamente, não deveriam ser o foco principal do cargo para os quais está sendo realizado o concurso. Isso aconteceu na prova da CGU, banca ESAF, e agora com a prova do MMA, banca Cespe.

Explico. Na prova da CGU, cargo de Prevenção da Corrupção, tecnicamente as matérias que mais deveriam ser cobradas seriam duas ou três que tinham mais haver com a essência do cargo, como Ciência Política e Administração Pública, no entanto, a banca cobrou mais AFO. Na prova do MMA, cargo de Analista Ambiental, tudo levava a crer que seria mais cobrados os tópicos de legislação ambiental, metade da matéria prevista no edital, sendo que na prova foi cobrado mais Contabilidade Pública e Administração Pública.

A pulga atrás da minha orelha vem do fato que até 2006 as provas tinham uma certa lógica na cobrança das matérias do edital. Eram mais cobradas as matérias que tinham mais haver com a finalidade dos cargos oferecidos. Quem está acostumado a fazer provas anteriores de concursos nota isso com clareza. Assim, a idéia seria estudar baseando-se no na cobrança das provas anteriores, ou seja, se cobraram mais X, estudar-se-ia mais X, se cobraram mais Y, estudar-se-ia mais Y.

Com essa aparentemente definitiva mudança de posicionamento das bancas, não podemos mais confiar nas tendências de provas anteriores sob o risco de estudar mais X, a matéria tradicionalmente mais cobrada nos concursos anteriores, para somente na hora da prova descobrir que há somente duas ou três questões de X e que o maior número de questões é do assunto Y, que foi deixado um pouco para segundo plano.

Se eu estiver certo nessa constatação, o que está acontecendo é uma mudança nas regras do jogo. A nova regra parece ser simples, “estude todas as matérias com a mesma prioridade máxima porque você não terá mais idéia do que vou cobrar com mais intensidade nas provas futuras”. Isso é um problema. Claro que ter uma boa idéia do que seria mais cobrado nas provas era uma vantagem competitiva, um facilitador de vida. Acabando essa vantagem, a vida do concurseiro ficará mais difícil, pois terá de estudar todo o programa com o mesmo afinco.

Muitos dirão “mas não era para isso acontecer mesmo antes das regras mudarem, digo, estudar com afinco todas as matérias?”. Tecnicamente seria, mas todo concurseiro sério e mais bem informado sabe que fazer provas anteriores de um concurso que se vai prestar não serve apenas para exercitar e fixar a matéria, mas para descobrir essas tendências. Seria como se preparar para descer um rio cheio de corredeiras num bote inflável, porém tendo uma idéia de como é a correnteza, de onde estão as pedras maiores, os prováveis pontos mais perigosos.

Acredito que essa mudança nas regras do jogo é resultado direto da popularização dos concursos públicos e conseqüente aumento mais que expressivo no número de candidatos. Sob a luz dos refletores, as bancas e os próprios órgãos governamentais contratantes estão preferindo dificultar o jogo para escolher o melhor do melhor. É a lei de mercado, quando sobra mão-de-obra os empregadores se sentem a vontade para escolher os melhores dos melhores, para iss006F impondo processos seletivos rigorosos. Acontece no mundo corporativo e agora também parece estar acontecendo no mundo estatal.

Resumo da ópera – Posso até estar errado, mas os sinais que vejo apontam fortemente para essa mudança nas regras do jogo. Depois da prova do MMA achei por bem tomar isso como comprovado e começar a me preparar para os próximos concursos sem me basear com tanta certeza em tendências de provas anteriores. Claro que não vou deixar de me informar quanto a essas tendências, não sou tão burro assim, mas vou considerá-las como informação não tão digna de crédito. A partir de agora, vou me preparar para os próximos concursos públicos que prestar como o desbravador que vai enfrentar as corredeiras de um rio selvagem pela primeira vez, preparado para tudo, seja para cobrarem mais X, Y ou Z. Vai dar mais trabalho, demandar mais esforço e estudo, mas pelo menos não serei pego de surpresa.

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PERGUNTA DO DIA

Você também fica com a pulga atrás da orelha em relação à incerteza de que matérias serão mais cobradas em uma prova? Como você lida com essa tendência das bancas de cobraram matérias que não são o foco principal do cargo a que você está concorrendo? Como se preparar para isso?
Essa pergunta deve ser respondida em nossa comunidade no Orkut. Basta clicar no homenzinho ai em cima (você precisa estar conectado no Orkut em outra janela de navegador para ser levado à página de resposta).

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MÚSICA DO DIA
A música de hoje é um sucesso de 1995 da dupla francesa do Deep Forest, que fizeram muito sucesso com músicas no gênero de World Music. Marta´s Song é cantada no dialeto Csangó, um ramo cigano do húngaro falado na Transilvânia romena.

A letra da música é muito interessante. Na comunidade Csangó as mulheres, após a primeira mestruação, recebem uma fita vermelha de comprimento suficiente para dar três voltas na cintura, um tipo de troféu que marca a passagem da infância para a idade adulta. A fita só muda de comprimento quando a mulher engravida.

Na música Marta, uma adolescente, canta angustiada que a fita dela não serve mais, está curta e não é mais suficiente para dar as três voltas em sua cintura. A música dá a entender que ela é muito nova e, por isso, ainda não sacou que está grávida.

Para quem lê em inglês e quiser checar a letrada da música traduzida, é só clicar em :


3 Response to "Com a pulga atrás da orelha"

  1. Oie Tito!
    Não é impressão sua não. Está comprovada e sacramentada essa nova tendência das Bancas. Passei por isso no último concurso do TRT12, SC mês passado. Para minha surpresa a matéria mais cobrada de Conhecimentos Específicos era AFO, dá pra acreditar? Eu esperava metade das questões de Dir e Proc do Trabalho e na hora fomos bombardeados com inúmeras questões de AFO. Só pra vc ter idéia, nem caiu Lei 8.112, que é primordial para qualquer concurso público de nível federal.
    Sei lá o que pensar disso a essa altura do campeonato! O negócio é esperar para ver como ficará essa nova tendência...
    Bjo grande e parabéns por mais essa matéria!
    Já estou ficando viciada, rsrsrs
    Fabi!

    nina says:

    Olá

    Faz tempo que venho acompanhando seu blog, e tem me ajudado muito =D
    Notei que você utiliza a expressão "nada haver" e fiquei cismada...
    Procurei em alguns fóruns, falei com uma professora de português e ela me confirmou que o correto é "nada a ver".
    Fica o toque. Só uma dica por todas as que você nos passa. Troca injusta, né? rsrs.


    Parabéns pela iniciativa e manutenção do blog, e obrigada pelas dicas!
    Boas provas!

    Camisa 9 says:

    Não sei se é possível, mas vc é eclético demais em relação à música rsrs

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