Análise cuidadosa é a ordem do dia

Mais uma vez assistimos uma daquelas épocas em que vários bons concursos têm editais publicados quase que simultaneamente (CEF, ANVISA, ANEEL, DATAPREV, ...), o que deixa muitos concurseiros totalmente espavoridos e sem saber para onde atirar. Só que essa dúvida é raiz de um problema muito maior do que parece a primeira vista, tão crítico que para muitos concurseiros já resultou em dolorosos pedidos de exoneração do tão desejado cargo público. Explico.

Quando vericando quais concursos estão com as inscrições abertas, muitos concurseiros analisam, geralmente, apenas aspectos imediatos do concurso como cargos, remunerações, matérias a serem cobradas, data da prova e por aí vai, poucos são os que consideram questões extremamente importantes como:

- Quero mesmo trabalhar nessa área/cargo?

- Quero mesmo mudar-me para outro estado/cidade?

- A remuneração do cargo é suficiente para montar uma casa, pagar aluguel e contas, enfim, me manter no local de exercício do cargo?

- Estou pronto para deixar para trás amigos, família, gato, cachorro, papagaio e tudo o mais?

Não se enganem, meus amigos, antes da posse 99,9% dos concurseiros respondem SIM para todas as perguntas acima, mas quando chega o telegrama com a nomeação e data da posse, aí, sim, o bicho pega, e os sim tornam-se não. Vejamos de perto o que envolve cada uma dessas questões.

- Quero mesmo trabalhar nessa área/cargo?

Muitos concurseiros não analisam com cuidado as atribuições dos cargos e mesmo informam-se quanto ao dia-a-dia do mesmo e após a posse descobrem amargamente que "putz, isso não é para mim". Já ouvi isso de amigos e também de vários leitores do blog, é real, acontece. Se o concurseiro não tem perfeito para "ficar atrás de uma mesa", não adianta prestar concursos para cargos burocráticos, se não tem perfil para "trabalhar em campo", não adianta nada prestar concursos para cargos de fiscalização, na área de segurança e tal. Num primeiro momento, em meio à euforia da posse, não só será possível fazer o trabalho, como até se gostará do que se for fazer, mas passado as primeiras semana a situação tende a tornar-se insuportável.

- Quero mesmo mudar-me para outro estado/cidade?

Muitos concurseiros dizem que "vou para onde quer que seja empossado". Muito bonito, muito corajoso, mas quando se mudam, daí a história muda de figura. Notem que as diferenças culturais e de desenvolvimento são muito grandes no Brasil. Conheço concurseiros que saíram de grandes cidades para irem para cidadezinhas do interior e não se acostumaram de jeito nenhum com a quietude, com o modo tranquilo e geralmente sem solavancos como a vida corre nesses lugares. Também conheço concurseiros que saíram de cidadezinahs pacatas para encarar grandes centros e levaram um choque cultural instantâneo. Parece bobeira quando se lê sobre o assunto, mas é bem real quando se vive a experiência.

- A remuneração do cargo é suficiente para montar uma casa, pagar aluguel e contas, enfim, me manter no local de exercício do cargo?

"Vivo com o mínimo, o que importa é ser empossado" foi o que o útlimo concurseiro que achava que remuneração no começo não era algo tão importante assim. Na fria e cara realidade da capital paulista ele viu que sua remuneração líquida de R$2032,00 permitia apenas que ele vivesse uma rotina de "de casa para o trabalho e do trabalho para casa". Morava longe do trabalho, não podia se divertir, não podia consumir ... resultado, pediu exoneração e voltou para os estudos.

- Estou pronto para deixar para trás amigos, família, gato, cachorro, papagaio e tudo o mais?

Muitos concurseiros acham que vínculos emocionais com a família, parentes e amigos são fáceis de serem deixados de lado para assumir um cargo em local distante ... e enganam-se. Quando a saudade baixa milhares de quilômetros baixa, geralmente vem acompanhada do desespero e da depressão, daí não há cargo público que segure o concurseiro, por melhor que seja. E também, são poucas as amizades e, principalmente, namoros/noivados que resistem a distância.

Resumo da ópera - Escolher quais concurso prestar é mais complicado e importante do que parece, então, tome muito cuidado ao fazer essa análise, sob o risco de se ver, um dia, entregando um pedido de exoneração do cargo público que conquistou tão duramente, e fazendo isso com um suspiro de alívio!

Charles Dias é o Concurseiro Solitário.

IMPORTANTE - Os textos publicados nesse blog são de inteira responsabilidade dos seus autores em termos de opiniões expressadas. Além disso, como não contamos com um revisor(a) de textos, também a correção gramatical e ortográfica é de inteira responsabilidade dos mesmos.

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Recentemente colaborei em uma matéria publicada em um caderno de educação do jornal Correio Braziliense que tratava exatamente de alguns aspectos desse assunto. Conversei com a jornalista responsável e ela conseguiu autorização para disponibilizar para vocês o PDF da matéria. Basta clicar em cada uma das páginas abaixo para poder abrí-la/baixá-la em seu computador. Boa leitura.

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