Quanta bobagem ... e tem gente que acredita! (parte1)

Desde que comecei a estudar para concursos sempre me assustei com a quantidade de mitos e crendices existentes no meio concurseiro, ou seja, nas bobagens que muita gente conta e nas quais muitos concurseiros acreditam. E o pior, essa crença é compartilhada tanto por concurseiros iniciantes com por concurseiros experientes, concurseiros sérios, falsos concurseiros e até fazedores de concursos.

O anúncio do concurso do STJ, depois da polêmica que envolveu seu irmão gêmeo, o concurso do STF (digo gêmeo porque têm praticamente o mesmo edital e a mesma banca), trouxe a tona muitos desses mitos e crendices, que vejo todos os dias em fóruns, comunidades e blogs sobre o concurso. Por isso decidi escrever esse artigo para desmistificar, detonar de vez todas essas bobagens.

Selecionei os doze mitos e crendices concurseiros que julgo serem os mais recorrentes, insanos, distantes da verdade e absurdos, mas que muitos concurseiros acreditam como se fossem verdades indiscutíveis. Vejamos cada um deles.

1 – “Todos os concursos são marmelada, são fraudados, de cartas marcadas”

Claro que fraudes em concursos públicos acontecem, isso é um fato inegável. Agora, daí dizer que elas acontecem em TODOS os milhares de concursos públicos realizados no Brasil anualmente, daí já é uma bobagem do tamanho de um bonde. Nem no passado recente, quando o controle popular era menor e a atenção da mídia não era das maiores, não se poderia dizer isso, agora, então, é que não se pode dizer mesmo.

Hoje os concurseiros são mais bem informados e articulados (obrigado Santa Internet), o que somado ao novo status que os concursos públicos ganharam, resulta uma atenção e exposição muito maior na mídia de qualquer deslize cometido pelas bancas e/ou organizadores. E como esse é um ótimo negócio para as bancas, afinal de contas dá muito dinheiro pelo número enorme de inscritos nas centenas de concursos que acontecem ao logo do ano, essas empresas estão mais cuidadosas porque sabem que serem taxadas de banca fraudadora significará uma queda brutal no número de contratos para realizar concursos e, portanto, em menores lucros.

Segundo diversos especialistas em concursos públicos, há uma maior concentração de fraudes em concursos municipais, principalmente os realizados para prover cargos em cidades pequenas que ficam sob a responsabilidade de bancas desconhecidas. Em concursos estaduais a chance de fraudes é bem menor. Em concursos federais, então, é muito pequena.

Sinceramente, quem usa essa desculpa para não prestar concursos públicos é porque, no fundo, tem medo de encarar a guerra que é estudar feito um condenado por volta de dois anos até se estar preparado para garantir um bom cargo na administração pública. É a velha história das uvas estarem verdes.

2 – “Concursos de nível médio são mais fáceis e menos concorridos que os de nível superior”

E quem disse que concurseiros que têm no bolso diploma de nível superior não se inscrevem em concursos de nível médio?! Acreditar nessa bobagem é querer “tapar o sol com a peneira”, fechar os olhos para a realidade. A maioria dos concurseiros que podem prestar concursos para ambos os cargos fazem isso, eu faço isso e conheço poucos concurseiros que não façam a mesma coisa.

Tempos atrás li em um fórum um concurseiro desavisado jurando de pé junto que em concursos que exigem nível médio, concurseiros com nível elementar (somente 1º grau) ou nível superior até poderiam fazer as provas, mas se aprovados não poderiam tomar posse do cargo. Ok, para o caso do concurseiro ter nível educacional elementar, tudo bem, é isso mesmo. Agora, se o concurseiro tem diploma universitário ele vai, sim, ser empossado.

Além disso, muitos concurseiros com nível superior que não se acham preparados o suficiente para enfrentar as provas mais difíceis de matérias mais extensas e complexas simplesmente dos concursos para analista optam por prestar apenas concursos de nível médio, o que aumentar em muito o número de candidatos para esses cargos e eleva o nível da concorrência.

Para derrubar esse mito, basta se perguntar se um engenheiro ou administrador de empresas não toparia se empossado em um cargo de nível médio com remuneração por volta dos R$4 mil se no mercado de trabalho privado esse salário já o deixaria sorrindo de orelha-a-orelha.

3 – “Concursos para cadastro de reserva são enganação para tirar dinheiro dos concurseiros”

É interessante como muitos concurseiros falam mal das tais vagas para cadastro de reserva sem ao menos saberem direito o que é um cadastro de reserva. Uma vez, numa palestra sobre concursos públicos, num dos intervalos um indivíduo que fazia pose de “sei tudo de concursos” estava numa rodinha fazendo isso. Não perdi a chance e me fazendo de concurseiro novato perguntei “mas o que é esse tal cadastro de reserva” ... o cara resmungou duas vezes antes de mudar de assunto.

Quando um órgão ou entidade pública realiza um concurso para cadastro de reserva, isso significa que ainda não há um número definido de vagas a serem ocupadas. O concurso é então realizado e os candidatos organizados em uma lista descrescente de desempenho. Na validade do concurso, à medida que vão surgindo vagas, o órgão ou entidade simplesmente via chamando o pessoal que está no topo dessa lista.

A desvantagem desses concursos é que muitas vezes não há nomeações logo após a homologação do concurso, então os concurseiros melhor posicionados na lista final de notas deverão esperar até serem chamados, o que pode acontecer em um mês ou em dois anos.

Aqui você encontra um artigo interessante sobre esses concursos publicada pelo G1:


4 – "Entrar com recursos de questões e correção de redação é perda de tempo"

Outra grande bobagem que nada mais é do que outro argumento fraco usado por concurseiros preguiçosos que não querem ter o trabalho de sentar a bunda na cadeira e redigir os recursos com a fundamentação, qualidade e seriedade que as bancas exigem.

Quando você vai a uma loja, compra alguma coisa e no caixa lhe é cobrado um preço maior que o da etiqueta você não reclama? Claro que reclama, a não ser que esteja tão lerdo que não note a diferença de preço. Então, porque você não reclamaria quando num concurso a banca propõe na prova questões mal formuladas, sem resposta, com mais de uma resposta ou que cobram matéria que não estava prevista no edital?

É exatamente isso que é o recurso, a forma dos concurseiros reclamarem para as bancas que elas estão cobrando um preço diferente do que está na etiqueta.

5 – “Tem gente que passa em concurso público sem estudar, só chutando as respostas”

Certo, também tem gente que ganha sozinha na Megasena acumulada. Mas para esse sortudo que levou toda a bolada, existem algumas centenas de milhões de outros apostadores que perderam o dinheiro da aposta. Afinal de contas, chutar as respostas na folha de respostas de um concurso público e chutar números num cartãozinho de aposta da Megasena são a mesma coisa.

Desde a época em que estudava para o vestibular ouvia esse mito de que um cara que era primo do tio do irmão do cunhado do chefe da empregada de alguém havia chutado tudo no vestibular da USP e ainda assim havia passado para o curso de Medicina. Tudo bem que estatisticamente falando isso até pode acontecer, não duvido, inclusive, que tenha acontecido uma vez ou outra, mas são exceções em meio à exceções.

Se você quer testar sua sorte, prefira jogar na Megasena acumulada, é muito mais barato e se você perder não terá de inventar desculpas esfarrapadas de porque sua estratégia não deu certo.

6 – "Não é possível passar em concursos públicos sem fazer cursinho"

Se isso fosse verdade, ninguém que não morasse em Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo, onde estão os melhores cursinhos para concursos do Brasil, seria aprovados em concursos públicos, o que está longe de ser verdade.

Claro que um bom cursinho ajuda o concurseiro a se preparar, mas não é garantia ou pré-requisito para o sucesso na guerra dos concursos públicos. É uma pena que não existam estatísticas oficiais ou confiáveis sobre o assunto, mas não duvido que pelo menos metade das nomeações em cargos públicos é de pessoas que nunca freqüentaram nenhum tipo de cursinho para se preparar para os certames.

Quem é dono de cursinho sempre vai dizer que ser seu aluno é indispensável para a aprovação, afinal de contas, esse é o ganha-pão do cara, seu negócio, e para ele quanto mais alunos tiver, melhor. Também é compreensível, à luz da vaidade humana, que quem faça cursinho diga a mesma coisa, pois é uma forma dessas pessoas se sentirem melhor preparadas, com alguma vantagem a mais diante de pessoas que não fazem cursinho.

No final das contas, dá muito bem para estudar com qualidade e ser aprovado em concursos públicos sem cursinho. Tudo dependerá da disciplina, qualidade de estudo e persistência do concurseiro.

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Clipe do dia



"Taited Love" foi um baita sucesso nos anos 80 na voz do Soft Cell (ficou 43 semanas entre as 100 Mais da Billboard). Só que essa música é mais antiga e já foi regravada por vários intérpretes. Uma das versões que mais gosto é por conta do andrógeno Marilyn Mason.

3 Response to "Quanta bobagem ... e tem gente que acredita! (parte1)"

  1. Raquel says:

    Excelente matéria! Tenho apenas que discordar em parte sobre cadastro de reservas. Em alguns órgãos, não se abre vaga e não há convocados. Vale apenas para treinamento. Não joguem tomates em mim (risos).
    De resto, é isso mesmo que acontece. Eu faço, mas fico meio desconfiada.

    Raquel

    É bom mesmo desmistificar esse assuntos concursídicos. Enche o saco conversar sobre esses assuntos com concurseiro desligado.

    Excelente post!

    Tiago

    Camisa 9 says:

    Que música, hein!
    Seu gosto é bem variado rs, parece o meu.

    Sempre fiquei longe de provas com cadastro reserva...sempre desconfie, quanto a parte da fraude, teve um concurso em SP no meio do ano passado que foi fraudado e foi refeita a prova. Bem eu melhorei a minha nota, mas não passei...podia ter aproveitado e estudado mais, devido as circunstâncias eu poderia ter aproveitado a oportunidade rsrs

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